Tempo de preparação: 25 a 50 anos
Dificuldade: fácil
Preço: milionário
Pegue num homem vulgar: nem alto, nem baixo, nem gordo, nem
magro. Descasque com cuidado para não o marcar, tirando-lhe todo o escrúpulo e
toda a piedade. Lave-o de toda a caridade e coloque-lhe palas nos olhos, de
modo a que só possa olhar para si mesmo.
Numa frigideira já aquecida com azeite, limão (o bastante
para azedar), e contactos bem posicionados, despeje um frasco de ambição,
intriga bem picada e manha cortada aos cubos. Mexa constantemente até ferver.
Nessa altura, baixe o seu lume e coloque lá o seu homem. Se não ficar
totalmente submerso no molho, junte mais um pouco de ambição.
Enquanto a carne cozinha, prepare um arroz de (criminosos) miúdos.
Compra-se em qualquer prisão do país. Basta estupidificá-los num robô de
cozinha e cozer numa panela cheia até dois terços com medo. Tempere com
cobardia e dívidas q.b.
Assim que o seu homem ganhar uma leve cor endinheirada,
transfira o conteúdo da frigideira para um pirex, ponha o arroz de miúdos por
cima, uma folhinha de salva para dar gosto, e leve ao forno. O homem deverá
crescer, absorvendo o arroz e o molho. Depois, retire do forno, regue com vinho
do Porto do tempo do seu avô, e polvilhe com notas rasgadas.
Sirva livre.
Maria
Texto publicado com ligeiras alterações