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quarta-feira, 19 de março de 2014

Resolução de exercícios

pp. 228-229




1.


a. F (modo narrativo)


b. V


c. F (herói coletivo: o povo português)


d. V


e. F (início in medias res, na estância 19 do canto I)


g. F (4 planos narrativos: viagem, história, maravilhoso e do poeta)


h. V


i. V


j. F (o narrador é Vasco da Gama)


K. F (o ambiente é de preocupação e de tristeza)


l. V


m. F (Vasco da Gama pede ajuda à "Divina Guarda", isto é, Deus)


n. V


o. V


p. F (No regresso, Vénus prepara uma recompensa para os navegadores, proporcionando-lhes um encontro com as ninfas da Ilha dos Amores)


q. V


r. V


2. a. Sinédoque (5) e perífrase  (2)


b. Personificação (1)


c. Anáfora (4)


d. Pleonasmo (6)


e. Eufemismo (3)


3. a. Plano da História de Portugal


b. Plano da Viagem


c. Plano do Maravilhoso


d. Plano do Poeta

domingo, 5 de janeiro de 2014

Um retrato fidedigno de Luís Vaz de Camões...

... o único feito em vida do poeta, é o de Fernão Gomes.

Uma emoção literária

Se clicarem aqui, poderão ver/folhear/ler um exemplar de 1572 de Os Lusíadas, que se encontra na Biblioteca Nacional de Portugal. Trata-se, como podem ler em nota, de uma edição princeps (isto é, primeira edição),  conhecida por edição "Ee", pois a sétima estância da primeira estrofe inicia-se com a conjunção "e": "E entre gente remota edificarão". Note-se, ainda, na portada, a cabeça do pelicano voltada para a esquerda do observador. A edição "E" apresenta a variante "Entre gente remota edificarão" e a cabeça do pelicano está virada para a direita.
Os estudiosos de Os Lusíadas - os camonianos - consideram que ambas as edições, publicadas em vida do autor, sofreram correções (algumas terão ocorrido enquanto a obra estava ainda no prelo), razão pela qual a versão que agora estudamos inclui variantes de uma e outra edição.


 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Camões e a botânica

Assisti, no ano passado, a uma interessantíssima conferência do Doutor Jorge Paiva, investigador da Universidade de Coimbra, acerca da botânica na lírica e épica camonianas. Numa breve pesquisa sobre o assunto, sobremaneira interessante, encontrei em http://www.uc.pt/noticias/02_NL_2011/07_2011/camoes_plantas/ o seguinte:
 
«Da épica à lírica - as plantas na obra de Camões
 
A presença das plantas na obra camoniana surge da curiosidade natural de um botânico em “saber se a literatura e a poesia” a usaram muito. Jorge Paiva, investigador do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, decidiu “por curiosidade” e após já ter analisado o assunto n’Os Lusíadas, alargar o seu estudo a toda a obra poética de Camões e ver quais as plantas que este cita na sua lírica”.
Os formosos limões ali, cheirando,
Estão virgíneas tetas imitando
Canto IX, estrofe 56, Os Lusíadas de Luís de Camões

“Verdes são os campos,
Da cor do limão:
Assim como os olhos
Do meu coração”
Luís de Camões
 
O poeta é o mesmo, a planta também, mas a forma como é citada na sua obra é completamente diferente. É nesta comparação que Jorge Paiva nos explica as diferenças entre as plantas citadas na épica e na lírica de Camões. N’Os Lusíadas, o autor cita o limão pelo seu aroma e pela sua forma, já na lírica cita o limão pela sua cor relacionando-o com a cor dos olhos da pessoa amada. Seguindo esta premissa, o investigador a afirma que as plantas camonianas citadas “na épica são plantas relacionadas com a história, os descobrimentos, o novo mundo, geralmente plantas aromáticas, medicinais, especiarias e plantas bíblicas”; quanto às plantas camonianas citadas na lírica o botânico afirma que “estão relacionadas com o amor, a sua vivência amorosa, os sítios por onde andou e são fundamentalmente flores”.

Para reconhecer e identificar as plantas citadas na lírica camoniana, Jorge Paiva teve de estudar toda a obra e a “vivência de Camões” e tentar descobrir “quando e onde foram escritos os poemas”, uma vez que para identificar “por exemplo um carvalho, tenho de saber se estava nas margens do Mondego ou em Lisboa quando escreveu a ode ou o soneto”.

O botânico afirma que além das flores (como a rosa, o cravo, a violeta, o lírio e a açucena), na lírica podemos encontrar algumas árvores de fruto (como a macieira) e “algumas árvores muito importantes da nossa floresta (como o carvalho, o choupo, o castanheiro ou o amieiro).

Estudar toda a obra permite ao investigador descobrir pelas descrições do poeta, quando este não nomeia diretamente a planta. Os versos “Üa árvore se conhece/que, na geral alegria,/ela só tanto entristece/que como é noite, florece,/e perde as flores de dia.” causaram estranheza ao botânico, uma vez que este não conhece em Portugal “nenhuma árvore que floresça de dia e cujas flores no dia seguinte estejam fechadas”, mas, posteriormente, ao ler outros os versos - “Escrevem vários autores/que, junto de clara fonte/do Ganges, os moradores/vivem do cheiro das flores/que nacem naquele monte.” - descobriu tratar-se da Nyctanthes arbor-tristis (vulgarmente chamada de árvore triste). Ou ainda como no caso da Tribulus terrestres, identificada através dos versos “Vi terra florida/De lindos abrolhos,/Lindos pera os olhos,/Duros pera a vida;/Mas a rês perdida/Que tal erva paste/Em forte hora nasce” e “As flores me torna abrolhos,/a morte me determina”.

O seu conhecimento de toda a obra camoniana possibilita ao botânico afirmar que alguns poemas atribuídos ao poeta não são da sua autoria, como é o caso de “Vergel de Amor”, obra onde surgem citadas, por vezes, várias plantas por estrofe, algo que não é característico de Camões, assim como plantas que o poeta nunca citara antes como o rosmaninho e as giestas “Não podem dois opostos juntos ser,/onde se opõem giestas, que é lembrança,/junto do rosmaninho, que é crecer”.

Sendo assim, Jorge Paiva acrescenta que existem plantas citadas por Camões que ainda não conseguiu identificar, afirmando que necessita do acompanhamento de um camoniano para o ajudar na tarefa. No entanto, ambiciona escrever para comparar a épica e a lírica, publicar a lista das plantas camonianas, aquelas que tem certeza absoluta de ter identificado, as que só se podem citar por género e as que, certamente, não são camonianas.

Enquanto tal não acontece, podemos satisfazer a curiosidade sobre as plantas citadas n’Os Lusíadas e aprender um pouco mais sobre o génio de Camões aqui.

Por Sandrina Fernandes»