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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Humor, crítica, pensamento

A propósito do Festival Porta dos Fundos (e a propósito do tema da prova de exame), o humorista brasileiro Fábio Porchat destaca a importância da escrita no seu trabalho: “Os textos são o que de mais importante temos no Porta, tratamos o texto quase de forma matemática e um dos nossos segredos é que deitamos muita coisa fora, não há um sentimento de posse nos argumentos”, conta Porchat, para quem “a perfeição no humor é fazer rir e pensar”. Também Ricardo Araújo Pereira, convidado pelo coletivo Porta dos Fundos, sublinha que “Fazer rir ou pensar não é mutuamente exclusivo. Faço as duas coisas ao mesmo tempo, até para saber do que me rio”.





terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Madiba, presidente do mundo inteiro (Miguel Esteves Cardoso)

Quando falámos de crónicas, falámos, fatalmente, de Miguel Esteves Cardoso (MEC, para os iniciados - ou para os que querem parecê-lo). No Público de sábado encontrei o melhor obituário* de Nelson Mandela que li (é verdade que li poucos, porque, com os testes, não tenho tempo se não para folhear os jornais... e mal.)
 

Por não ser um santo

«Todos os ribeiros e rios do mundo vão dar ao mar, porque o mar é mais baixo. É esta humildade que dá poder ao mar". Lembrei-me destes versos atribuídos a Lao Tzu quando soube da morte de Nelson Mandela.
São muitas as traduções e muitas as dúvidas de autoria, mas sabe-se que palavras parecidas com estas foram escritas na China meio milénio antes de começar o calendário cristão. Mandela também não há-de ser esquecido tão cedo.
Morreu a única pessoa que poderia ter sido presidente do mundo inteiro. Toda a gente gostava dele porque era um ser humano – e não um santo – que soube partilhar a imensa humanidade dele com toda a humanidade, incluindo os inimigos, que eram muito mais do que os amigos.
Choro não só os anos em que esteve preso como todo o tempo que ele perdeu a receber e a cumprimentar políticos, celebridades e outros desconhecidos.
Sorrio ao pensar no prazer que Mandela tinha em ser politicamente incorrecto. Foi um espírito livre até ao fim. Estava sempre a fugir à linha americana e aos lugares-comuns da diplomacia europeia. Apoiou sempre o velho amigo Robert Mugabe e outros ditadores e regimes a que os poderes ocidentais prefeririam que ele se opusesse.
Todos tentarão agora redefinir Mandela conforme as conveniências políticas. Eu hei-de sempre lembrar-me dele como um excêntrico, um rebelde, um não-conformista, um inovador: um grande ser humano e um grande conhecedor dos seres humanos mais pequenos do que ele. Por ser um homem.
"Todos os ribeiros e rios do mundo vão dar ao mar, porque o mar é mais baixo. É esta humildade que dá poder ao mar". Lembrei-me destes versos atribuídos a Lao Tzu quando soube da morte de Nelson Mandela.
São muitas as traduções e muitas as dúvidas de autoria, mas sabe-se que palavras parecidas com estas foram escritas na China meio milénio antes de começar o calendário cristão. Mandela também não há-de ser esquecido tão cedo.
Morreu a única pessoa que poderia ter sido presidente do mundo inteiro. Toda a gente gostava dele porque era um ser humano – e não um santo – que soube partilhar a imensa humanidade dele com toda a humanidade, incluindo os inimigos, que eram muito mais do que os amigos.
Choro não só os anos em que esteve preso como todo o tempo que ele perdeu a receber e a cumprimentar políticos, celebridades e outros desconhecidos.
Sorrio ao pensar no prazer que Mandela tinha em ser politicamente incorrecto. Foi um espírito livre até ao fim. Estava sempre a fugir à linha americana e aos lugares-comuns da diplomacia europeia. Apoiou sempre o velho amigo Robert Mugabe e outros ditadores e regimes a que os poderes ocidentais prefeririam que ele se opusesse.
Todos tentarão agora redefinir Mandela conforme as conveniências políticas. Eu hei-de sempre lembrar-me dele como um excêntrico, um rebelde, um não-conformista, um inovador: um grande ser humano e um grande conhecedor dos seres humanos mais pequenos do que ele. Por ser um homem.»
 
* Obituário/necrologia: texto sobre a morte de alguém ou sobre alguém que morreu recentemente. In Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/obituário [consultado em 10-12-2013].

Imagem recolhida em http://b-i.forbesimg.com/mfonobongnsehe/files/2013/12/Mandela.jpg, texto extraído de http://www.publico.pt/autor/miguel-esteves-cardoso