Reza a lenda da minha imaginação que, todas as noites de lua cheia, em pleno alto mar, cerca de seis sereias sobem à superfície e cantam um poema, de forma que quaisquer marinheiros que nessa noite andassem a navegar, seriam seduzidos com aqueles poemas maravilhosos.
Uma vez, um marinheiro chamado Gilberto apostou com os seis companheiros que conseguiria resistir ao canto de um poema por uma sereia.
Gilberto era um homem musculado, bonito, moreno, e qualquer mulher se apaixonava por ele, mas a verdade é que ele já era comprometido, era um homem de família que lhe dedicava todo o seu tempo livre. Tinha três filhos: uma menina chamada Catarina Maria, com três anos, o João, que tinha seis anos, e o Joel, o mais parecido com o pai, que tinha onze anos.
Era uma família feliz, apesar de viverem numa casa em madeira, fria, sem televisão (como hoje em dia muita gente diz ser indispensável à sua vida), não tinha água canalizada e os seus únicos alimentos eram produzidos na sua pequena quinta, pela sua mulher.
Mas, voltando à aposta, Gilberto só a aceitara porque, se conseguisse ganhar a aposta, ganhava muito dinheiro, e, tendo uma vida pobre, queria que os seus filhos pudessem ir à escola e tivessem melhores condições de vida.
Despediu-se da mulher e dos seus preciosos “rebentos” com um simples:
- Amo-vos!
E seguiu caminho.
Gilberto ia num barco pequenino na Noite de Lua Cheia. A noite estava calma, mas quando chegou a meia noite, subiram seis sereias à superfície e proferiram um poema maravilhoso de Luís de Camões. Gilberto insistiu para que parassem, pois estava a perder o controlo. Até que caiu na água.
Foi levado pelas seis sereias e mais nada se soube dele.
Filipa (9ºB)
Texto com algumas alterações