sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Ficha de estudo

De acordo com o Dicionário Terminológico (http://dt.dgidc.min-edu.pt/), o modificador do nome restritivo é uma função sintática cuja omissão não afeta a gramaticalidade de uma frase, mas que restringe a referência do nome que modifica, podendo revestir a forma de:
 
 um grupo adjetival:

1. Uma mulher [misteriosa] pediu a palavra. 
2. Os alunos [estudiosos] têm bons resultados.

ou de uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva:

3. Os alunos [que estudam] têm bons resultados.

Reparem que, nas frases 2. e 3.,  a relativa "que estudam" e o adjectivo "estudiosos" estão a modificar o nome  "alunos". Além disso, pode inferir-se que os alunos que não estudam não têm bons resultados (o exemplo não é meu, é do Dicionário terminológico).
 

modificador do nome apositivo não restringe a referência do nome que modifica. Pode surgir sob a forma de:
 
um grupo nominal:
 
D. Afonso II [, o gordo,] tem um novo monumento.
 
ou de uma oração subordinada adjetiva relativa explicativa:
 
1. Os escuteiros, que são simpáticos, brincaram com as crianças.
 *Os escuteiros, que são simpáticos, brincaram com as crianças, os antipáticos não.

Reparem: a relativa "que são simpáticos" não restringe a referência do nome "escuteiros", isto é, não define o subconjunto dos escuteiros simpáticos num conjunto prévio de escuteiros. Note-se que, pelo facto de "simpáticos" não restringir a referência de "escuteiros", não é possível inferir que nem todos os escuteiros eram simpáticos - por isso mesmo, a frase  assinalada com * não é aceitável.
 
Para além das indicações do Dicionário Terminológico, devem lembrar-se que, tal como foi dito na aula:
 
  • O modificador do nome e as orações subordinadas adjetivas relativas restritivas implicam uma informação essencial e não são separados por vírgulas nem dão azo a pausas na oralidade
 
  • O modificador do nome apositivo e as orações subordinadas adjetivas relativas explicativas representam uma informação adicional, surgindo separados por vírgulas (/travessões), ou pressupõem pausas na oralidade, tendo caraterísticas de frases intercalares. 


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

2º teste de avaliação

O segundo teste terá, obrigatoriamente, uma cena do Auto da Barca do Inferno, pelo que surgirão perguntas relacionadas com o texto dramático em geral e com esta peça vicentina em particular.

 
Haverá questões relacionadas com os seguintes aspetos*:
  • história da língua portuguesa desde a sua origem
  • processos fonológicos
  • evolução semântica
  • arcaísmos
  • palavras convergentes e divergentes
  • construção verbo+pronome pessoal
  • modificador do nome restritivo e apositivo
  • oração subordinada adjetiva relativa (restritiva e explicativa): 9º A e C
  • recursos expressivos

Uma forma eficaz de preparar o teste consiste em reler o caderno (aqueles, não todos, que o têm em dia) e as seguintes páginas do manual:
 
  • 150-157; 272-276;   304 (somente o grupo 3.); 310.
Do caderno de atividades, devem fazer todos os exercícios das páginas 4, 5, 47, 48.

Os alunos do 9º A e do 9ºC devem resolver o exercício 9 da página 57 e todas as questões da página 58 do supracitado caderno.

* Apesar desta lista, devem lembrar-se que podem ocorrer perguntas versando matéria já lecionada

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Manuel António Pina e o meu remorso


Se há coisa de que tenho remorsos é de, a seu tempo, não vos ter falado do grande cronista que foi Manuel António Pina. Embora o considere um poeta incontornável, apreciei muitíssimo, por muitas e variadas razões, as suas crónicas. De tal forma que tenho aqui em casa o volume "Por outras palavras & outras crónicas de jornal". Aproveito a circunstância de ter nascido num dia 18 de novembro para me redimir, para lembrá-lo, e para reler um dos seus poemas:
Amor como em casa
«Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu
amor , e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.»
(Texto recolhido em http://www.blogclubedeleitores.com, imagem retirada de http://4.bp.blogspot.com)
 

Correção do exercício de pontuação

Escolhi esta crónica de Luís Fernando Veríssimo por razões óbvias. Apenas transcrevo a parte que nos interessa, mas aconselho vivamente a leitura do resto.
 
«Um publicitário morreu e, como era da área de atendimento e mau para o pessoal da criação, foi para o inferno. O Diabo, que todos os dias recebe um print-out com nome e profissão de todos os admitidos na data anterior, mandou que o publicitário fosse tirado da grelha e levado ao seu escritório. Queria fazer-lhe uma proposta. Se ele aceitasse sua carga de castigos diminuiria e ele teria regalias. Ar-condicionado, etc.

— Qual é a proposta?

— Temos que melhorar a imagem do inferno — disse o Diabo. — Falam as piores coisas do inferno. Queremos mudar isso.

— Mas o que é que se pode dizer de bom disto aqui? Nada.

— Por isso é que precisamos de publicidade.

O publicitário topou. Era um desafio. E as regalias eram atraentes. Quis saber algumas coisas que diziam do Inferno e que mais irritavam o Diabo.

— Bem. Dizem que aqui todos os cozinheiros são ingleses, todos os garçons são italianos, todos os motoristas de táxi são franceses e todos os humoristas alemães.

— E é verdade?

— É.

— Hmmm — disse o publicitário. — Uma das técnicas que podemos usar é transformar desvantagem em vantagem. Pegar a coisa pelo outro lado.

Sua cabeça já estava funcionando. Continuou:

— Os cozinheiros ingleses, por exemplo. Podemos dizer que a comida é tão ruim que é o local ideal para emagrecer. Além de tudo, já é uma sauna.»
Para ler o texto na íntegra, cliquem aqui
 

Correção do exercício de pontuação

Grande Edgar

Já deve ter acontecido com você.
- Não está se lembrando de mim?
Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele está ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando a sua resposta. Lembra ou não lembra?
Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.
Um, o curto, grosso e sincero.
- Não.
Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O “Não” seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos não entre pessoas educadas. Você devia ter vergonha. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem.
Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.
- Não me diga. Você é o… o…
“Não me diga”, no caso, quer dizer “Me diga, me diga”. Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com a sua agonia. Ou você pode dizer algo como:
- Desculpe deve ser a velhice, mas…
Este também é um apelo à piedade. Significa “Não torture um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!” É uma maneira simpática de dizer que você não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve à insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.
E há o terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.
- Claro que estou me lembrando de você!
 
(Texto e imagem recolhidos em http://www.releituras.com/i_artur_lfverissimo.asp, onde podem encontrar o resto da crónica. Vale a pena espreitar!)

Desafio interessante N.º 3

A Biblioteca Lúcio Craveiro, aqui tão perto de nós, está a promover um concurso que - muito oportunamente - consiste em escrever um conto de Natal e que - nem de propósito - tem como objetivo estimular a escrita e a produção literária em língua portuguesa. Um conto, um continho (um contículo) de duas a quatro páginas onde, além da temática do Natal, apenas têm de respeitar as seguintes categorias: espaço, personagens, ação e resolução. Fácil, facílimo, para os incontáveis talentos que frequentam os nonos A, B e C.
O regulamento está à distância de um clique.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Carta de náufrago

Querida Maria Inês,    
 

Já há muito que não nos vemos. Certamente ouviste nas notícias do jornal a história de terror pela qual passei mas, através desta carta, dir-te-ei por minhas palavras cada segundo daquela tragédia.

No dia 23 de setembro, dia em que de mim te despediste, ajudei os meus colegas a transportar tudo aquilo que era essencial para que o barco pudesse começar a navegar.

Poucos dias depois, mais especificamente sete pores-do-sol mais tarde, encontrávamo-nos no meio do Oceano Atlântico, perto de Cabo Verde, onde fizemos uma paragem, bebemos uns “canecos” e seguimos viagem. Estávamos no sul de África, passando o Cabo Bojador, e, tal como há muitos anos atrás, o Cabo foi mal passado, sendo que o casco do navio se desfez aos poucos.

Logo que demos por ela, tentámos tudo, mas nada chegou para tal coisa não acontecer. As pessoas iam morrendo; os tesouros desapareciam. Aqueles que sobreviviam bem tentavam remar o navio para terra, mas acabaram por morrer; todos, menos eu e o Cristóvão, o meu camarada.

Com força e condição física, já perto da costa, empurrámos o barco, e, enterrados na areia, encontrámos dinheiro e jóias que considerávamos perdidos. O Cristóvão ,de tão fraco que estava, acabou por morreu, sendo eu o único que pode contar a verdadeira história desta infeliz aventura.

Ficas assim ciente da loucura pela qual tive que passar.

O teu amigo,

Zacarias

Mariana 9ºA

Texto sujeito a ligeiras alterações