terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Cof, cof, cof

Estudamos o episódio de Inês de Castro de Os Lusíadas como tudo, agora: depressa, com objetivos, tendo em mente o estribilho: todos os descritores das Metas Curriculares de Português são «ensináveis, treináveis, avaliáveis».
Tenho alguma tendência para pensar que o gosto pela leitura se transmite como uma doença, se inocula como um vírus, se reproduz como uma bactéria. Comigo foi, e é, assim. Em alturas diferentes, apanhei a gripe de Jorge Luis Borges, a tosse de Eça e a melancolia de Virginia Woolf. Tenho o reumatismo de Agustina e já fiquei acamada como Proust. O mal de Roth foi a última enfermidade séria que me atingiu. Mas sou muito dada a achaques...
Às vezes apetece-me ficar doente (uma variante benigna, sem febre nem dores de cabeça) só para poder ficar em casa a ler. Claro que não posso: vou para a escola para - na medida das minhas possibilidades - ensinar, treinar, avaliar. Agora ensino (ensinarei?) o episódio de Inês de Castro. Nâo sei. O que eu sei é que gostaria que os meus alunos, que estudam num Conservatório e são destinatários privilegiados da 6ª edição do Concurso Inês de Castro (que este ano põe em evidência as artes performativas) concorressem e mostrassem o que valem.

Alegrias que os meus alunos me dão

Os meus alunos escrevem e dizem coisas que me enchem de um orgulho injustificado, pois o mérito é todo deles.
Ainda hoje: estava eu, a propósito de indícios, a falar dos narradores pouco fiáveis em Agatha Christie e a referir duas obras cujo narrador é o assassino, quando a Inês A. se sai com o título que me escapava: O assassinato de Roger Akroyd
 
 
Na outra turma, a propósito de analepses e prolepses, o António explica-me as subtilezas do enredo de "Lost" (que eu, lamentavelmente, não vi). E depois o Arnaldo mostra-me um texto ótimo, que me põe a pensar: «Mas como, se ainda não estudamos o Adamastor?» A resposta vem pronta: anda a ler Mensagem, de Fernando Pessoa.

Receita para um bom Ano Novo

            Uma receita para um bom Ano Novo: sei que pode parecer difícil, mas, na realidade, é tão fácil como fazer um bolo... Basta pensar, a cada momento de cada dia, se nos estamos realmente a esforçar por ter um bom ano; ou se, pelo contrário, nos aborrecemos com aquilo que nos corre mal e perdemos o nosso valioso tempo a queixarmo-nos. Em vez disso, devemos tentar mudar o que fizemos de errado, de modo a que, ao encontrarmos um novo problema, estejamos preparados para lidar melhor com ele.
            Obviamente, também devemos ter a consciência de que o ano tem doze meses. Não tem apenas um ou dois, nem tão somente dez ou onze. Tem doze. O problema de muitos é que, apesar de se esforçarem, a princípio, por terem um bom Ano Novo, não persistem em continuar dessa forma. Chegamos a meados de janeiro e parece que todos os nossos propósitos e objetivos para o novo ano se desvanecem. É como se o “Ano Novo” já tivesse passado e agora tudo tivesse voltado ao normal. «Talvez para o ano, no próximo “Ano Novo”...», pensamos nós. No entanto, tal como em qualquer outra receita, devemos ter em conta que nem sempre somos bem sucedidos à primeira tentativa. Por vezes, esquecemo-nos do bolo no forno e ele fica queimado. Outras vezes, damos prioridade a distrações e preocupações que nos afastam daquilo que é verdadeiramente importante. Mas não devemos ficar aborrecidos ou desanimados. Tal como em qualquer outra receita, somente a prática leva à perfeição.

 Alexandre

Receita para humanizar o mundo


Ingredientes:

- 100g de liberdade;

- 300g de solidariedade;

- 500g de boa vontade;

- 250g de ética;

-200g de responsabilidade;

- 150g de altruísmo;

- 150g de princípios morais.

Modo de preparação:

Num recipiente, juntar a ética e os princípios morais. Mexer com muito boa vontade. Depois de tudo bem temperado e assimilado, acrescentar solidariedade q. b.* e continuar a mexer até ficar homogéneo. De seguida, acrescentar a esta massa responsabilidade e altruísmo. Coloca-se no forno durante uma hora.

Finalmente, tira-se do forno esta “massa humana”, cobre-se de liberdade e está pronto para humanizar este mundo cada vez mais desigual, injusto, mas que não poderá escapar à aplicação desta receita.

 

*q. b. – quanto baste

Receita de Ano Novo



Tempo de preparação: uma questão de segundos

Tempo de cozedura: talvez uma vida inteira

Dificuldade: fácil

Ingredientes:

ü  ½ dúzia de ovos da sorte;

ü  2 litros de felicidade;

ü  1 boa dose de saúde;

ü  150g de amor;

ü  100g de vontade e iniciativa;

ü  1 grande dose de amigos (daqueles que não têm preço) e família;

ü  1 pitada de dinheiro e trabalho.

Preparação:

            Unte a sua vida com uma dose grande de amigos e família. De seguida, bata os ovos da sorte para que ajude a evitar algumas dificuldades. Depois, misture a felicidade, a saúde e o amor até ficar tudo bem sólido. Junte, seguidamente, a vontade e iniciativa. Agora, recheie tudo com trabalho e uma pitada de dinheiro.

            Certifique-se que mantém esta receita bem cozinhada ao longo da sua vida e, agora, seja feliz!

 
Sara

 

 

Receita anual


 
  O Natal é já passado, mas o espírito permanece, com o espírito os valores e a esperança mantêm-se.
  Agora no Ano Novo, divida cada mês em 30 partes, e a pouco e pouco prepare-as, misturando muito bem os ingredientes.
No primeiro dia, uma porção de motivação, dedicação, muito trabalho e iniciativa para alcançar o sucesso. No segundo dia, para além dos ingredientes já envolvidos, adicione confiança, persistência e algum brio para obter o reconhecimento. Para o terceiro dia da receita:junte amor, as pessoas que gosta e companheirismo, pois a união faz a força. Humildade, tolerância e um grande sentido de humor para encarar as circunstâncias da vida de uma forma positiva, para o quarto dia.
E todos os dias acrescente mais porções destes e de outros ingredientes.
Assim terá um Ano Novo com felicidade e conseguirá adquirir a realização pessoal. 
Sara
(texto editado)

Um belo fim de tarde de quarta, aqui em Braga

 

Ciclo “Música & Literatura”: A MÚSICA EM JORGE DE SENA

QUA 29 JAN 19,00h
 
“Se todas as artes me são necessárias à vida como o ar que respiro, a música ocupou sempre, entre elas, e em relação a mim, um lugar especial”. JORGE DE SENA
Direcção artística: Elisa Lessa | Palestra: Maria do Carmo Mendes | Piano: Daniel Cunha
M6
 
Lido em http://www.theatrocirco.com/agenda/evento.php?id=1154