Trimmm… som do
despertador a penetrar nos meus sonhos e … mais um dia de trabalho.
Lavo
os dentes, no silêncio da solidão que me rodeia.
Já
é tarde! Saio de casa a correr, ainda com o casaco por vestir e com o pão na
mão. Olho em volta e reparo na tristeza das pessoas apressadas e com o bocejo a
sair do rosto.
Fico
extasiada. As chaves… Subo as escadas a tropeçar em cada degrau e,
atrapalhada, pego nelas.
Já
no carro, deparo com uma fila mais extensa do que a muralha da China. Farta da
espera, tento entreter-me e ligo o rádio. Só notícias aborrecidas. Cortes para
aqui, cortes para acolá. Só cortam o meu salário. Ia mudar de frequência
quando, de repente, ouço um apelo que me suscita curiosidade: “Sorri” (uma
palavra que já não ouvia há muito tempo!). Olhando à minha volta, vejo pessoas
a sorrirem na minha direção. Sinto-me indecisa, estranha. Será que sorrio ou
não?
Pressinto
um aperto no coração e, sem querer, escapa-me um sorriso da face.
Repentinamente, lembro-me da felicidade que é viver, da importância dos pequenos
gestos que nos fazem ver a vida de uma maneira positiva, alegre. Sinto saudades
do tempo em que as pessoas, apenas com gestos e palavras simples e carinhosas,
conseguiam esboçar sorrisos nos momentos mais tristes da nossa vida.
Agora,
encaro a vida de uma maneira diferente: a qualquer momento me lembro
que, com um simples sorriso, posso confortar o outro.
Texto sujeito a pequenas alterações
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