Odeio dar notas. Avaliar é medir,
contar, somar, subtrair, seriar. E eu detesto tudo isso. O caráter definitivo
das notas do terceiro período, então, agonia-me. Penso nelas longamente, faço o
melhor que posso. Mas agonizo. Uso grelhas, digo – e é verdade – que não dou
notas, que os alunos é que as tiram: racionalizo. Agonizo. E depois: como dar
notas inferiores a cinco a pessoas que são para mim muitíssimo mais do que esse
valor que, no fim do ano, se lhes apõe?
Sim, como dar menos do que cinco à
Adriana dançando e tocando clarinete, ao sorriso da Sara, à postura da Raquel, ao
Bird que há no Arnaldo, à confiança da Sara M., à delicadeza da Beatriz, aos
cabelos à Botticelli da Ana Catarina, ao imaginário da Maria P., à sageza do
Filipe, à rebelião da Mariana P., à seriedade da Alexandra, ao ar de pajem de
Nuno Gonçalves do Rui, à vozinha da Isabel, ao apoio do Ricardo C., à pele da
Inês T., à metamorfose da Maria Inês em concerto, às covinhas da Inês P., à constância
do Pedro F., ao louro improvável da Anastasiia, ao sossego da Ana Carolina, à
loquacidade do Diogo F., à fiabilidade da Inês P., ao segredo dos olhos do João
Nuno, à tranquilidade da Maria João, à escrita do Diogo C., aos caracóis do
Carlos, à placidez da Maria L., à convicção da Inês A., à rouquidão do Ricardo
F., à alteridade do David, à tez do Joaquim, ao enigma do Alexandre B., aos
gestos da Ana Clara, à intensidade da Carolina, ao lado “Hair” da Marta I., à
elasticidade do Artur, à inspiração da Luana, ao sotaque da Inês S., à altivez
da Lia, à boa disposição do João de P., ao azul total do Gil, à sedução da
Matilde, às certezas do Tiago, ao lado Borges do José, à versatilidade da
Teresa, às intervenções do Duarte, à intemporalidade da Marta A., à
criatividade da Andra, ao mistério da Mariana V., à tímida revolução da
Joana, à segurança da Helena, ao juízo do Leonardo, aos planos textuais do António, às
formiguinhas da Filipa, à poesia do Alessio, à presença da Bárbara, à fronte do
Daniel, ao enleio da Constança, à compreensão do Nuno, à graciosidade da
Carlota, à simpatia do Pedro B., à voz dolente do Diogo P., ao encanto da Eva, ao
fervor da Mariana, ao aprumo da Ana J., à quietação da Matilde M. e à brilhanteza
do Alexandre S., que foi por onde tudo começou…?
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