sábado, 2 de novembro de 2013

Carta de náufrago

Caro Joel,



Imagino que te tenhas perguntado inúmeras vezes o porquê de eu nunca mais te ter ligado ou mandado uma mensagem depois da minha viagem com a "Libraria Naval", mas a verdade é que esta naufragou!
Durante a nossa aproximação às Bermudas constatámos a aparição de uma leve brisa, um pouco mais pesada do que as leves brisas a que estávamos habituados. Achámos normal, algo vulgar para qualquer marinheiro experiente. Mas, algumas horas depois, esta leve, mas pesada, brisa, acabou por se transformar num vento que, apesar de frio, veio acabar com todos os longos dias de calor e sol abrasador que tanto me angustiaram. Finalmente, este vento intensificou-se e metamorfoseou-se numa poderosa e avassaladora ventania que virou o navio e acabou por o afundar. Pensa bem; a "Libraria Naval", a coletânea de todos os livros até agora escritos, afundada! O maior tesouro de toda a humanidade no fundo do mar!


Consegui nadar até aqui, até esta pequena ilha no meio de sabe-se lá onde. Todo o cansaço e fadiga até agora acumulados, devidos a extensas horas de trabalho e, apesar de todos os meus esforços, apenas fui capaz, infelizmente, de recuperar meia dúzia de livros, entre eles, ironicamente, o “Como Sobreviver a um Naufrágio."
Espero que leias esta mensagem e que venhas o mais rapidamente possível resgatar-me, seja lá onde eu estiver.
 
                                                        Calorosamente, um amigo

José, 9º A

(Texto com ligeiras alterações)

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