sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Carta de náufrago

Querida Maria Inês,    
 

Já há muito que não nos vemos. Certamente ouviste nas notícias do jornal a história de terror pela qual passei mas, através desta carta, dir-te-ei por minhas palavras cada segundo daquela tragédia.

No dia 23 de setembro, dia em que de mim te despediste, ajudei os meus colegas a transportar tudo aquilo que era essencial para que o barco pudesse começar a navegar.

Poucos dias depois, mais especificamente sete pores-do-sol mais tarde, encontrávamo-nos no meio do Oceano Atlântico, perto de Cabo Verde, onde fizemos uma paragem, bebemos uns “canecos” e seguimos viagem. Estávamos no sul de África, passando o Cabo Bojador, e, tal como há muitos anos atrás, o Cabo foi mal passado, sendo que o casco do navio se desfez aos poucos.

Logo que demos por ela, tentámos tudo, mas nada chegou para tal coisa não acontecer. As pessoas iam morrendo; os tesouros desapareciam. Aqueles que sobreviviam bem tentavam remar o navio para terra, mas acabaram por morrer; todos, menos eu e o Cristóvão, o meu camarada.

Com força e condição física, já perto da costa, empurrámos o barco, e, enterrados na areia, encontrámos dinheiro e jóias que considerávamos perdidos. O Cristóvão ,de tão fraco que estava, acabou por morreu, sendo eu o único que pode contar a verdadeira história desta infeliz aventura.

Ficas assim ciente da loucura pela qual tive que passar.

O teu amigo,

Zacarias

Mariana 9ºA

Texto sujeito a ligeiras alterações

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