quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Receita para um Mestre do Crime


Tempo de preparação: 25 a 50 anos
Dificuldade: fácil
Preço: milionário
Pegue num homem vulgar: nem alto, nem baixo, nem gordo, nem magro. Descasque com cuidado para não o marcar, tirando-lhe todo o escrúpulo e toda a piedade. Lave-o de toda a caridade e coloque-lhe palas nos olhos, de modo a que só possa olhar para si mesmo.
Numa frigideira já aquecida com azeite, limão (o bastante para azedar), e contactos bem posicionados, despeje um frasco de ambição, intriga bem picada e manha cortada aos cubos. Mexa constantemente até ferver. Nessa altura, baixe o seu lume e coloque lá o seu homem. Se não ficar totalmente submerso no molho, junte mais um pouco de ambição.
Enquanto a carne cozinha, prepare um arroz de (criminosos) miúdos. Compra-se em qualquer prisão do país. Basta estupidificá-los num robô de cozinha e cozer numa panela cheia até dois terços com medo. Tempere com cobardia e dívidas q.b.
Assim que o seu homem ganhar uma leve cor endinheirada, transfira o conteúdo da frigideira para um pirex, ponha o arroz de miúdos por cima, uma folhinha de salva para dar gosto, e leve ao forno. O homem deverá crescer, absorvendo o arroz e o molho. Depois, retire do forno, regue com vinho do Porto do tempo do seu avô, e polvilhe com notas rasgadas.
Sirva livre.
Maria
Texto publicado com ligeiras alterações

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